sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Chove...



Chove...
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Os improváveis Barbixas

A Cia. Barbixas de Humor é um grupo de teatro brasileiro, famoso pelos seus espectáculos, aos quais deram o improvável nome de...Improvável. Aqui, juntamente com outros actores e humoristas convidados, dão largas àquilo que melhor sabem fazer: trabalham com a imaginação, o inesperado e a criatividade, na arte do improviso. Inventa-se uma situação, imprevista (e improvável, já agora) porque não pensada e conhecida pelos actores, questiona-se o público que ajuda na definição do quadro, e o resto é puro improviso. Os resultados falam por si e devem  ser pretexto para o visionamento de outros vídeos, porque vale mesmo a pena.

Radiohead reencarnam The Smiths

Absolutamente fascinante, a interpretação de Thom Yorke e os seus Radiohead, com "The Headmaster Ritual".

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Melodias que me fizeram...

Porque nunca é demasiado lembrar que continua bem vivo. A dose dupla é mais do que justificada. Ouvir "I Know It's Over", um original dos The Smiths, uma das mais belas canções de sempre, cantada pela voz de Jeff, é algo que, de uma forma natural, deve mexer com qualquer pessoa. Comigo mexe. Hesito entre a versão original  e esta que, infelizmente, não se encontra editada.

I Know It's Over

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
And as I climb into an empty bed
Oh well. Enough said.
I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Oh ...
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
See, the sea wants to take me
The knife wants to slit me
Do you think you can help me ?
Sad veiled bride, please be happy
Handsome groom, give her room
Loud, loutish lover, treat her kindly
(Though she needs you
More than she loves you)
And I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Over and over and over and over
Over and over, la ...
I know it's over
And it never really began
But in my heart it was so real
And you even spoke to me, and said :
"If you're so funny
Then why are you on your own tonight ?
And if you're so clever
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very entertaining
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very good-looking
Why do you sleep alone tonight ?
I know ...
'Cause tonight is just like any other night
That's why you're on your own tonight
With your triumphs and your charms
While they're in each other's arms..."
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes guts to be gentle and kind
Over, over
Love is Natural and Real
But not for you, my love
Not tonight, my love
Love is Natural and Real
But not for such as you and I, my love
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my ...
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can even feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my ... 

Melodias que me fizeram...


Jeff Buckley - Everybody Here Wants You


Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
Coffee smell and lilac skin, your flame in me.
Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
Coffee smell and lilac skin, your flame in me.
I'm only here for this moment.

I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
How our love will blow it all away.

Such a thing of wonder in this crowd,
I'm a stranger in this town, you're free with me.
And our eyes locked in downcast love, I sit here proud,
Even now you're undressed in your dreams with me.
I'm only here for this moment.

I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
How our love will blow it all away.

I know the tears we cried have dried on yesterday
The sea of fools has parted for us
There's nothing in our way, my love

Don't you see, don't you see?
You're just the torch to put the flame
to all our guilt and shame,
And I'll rise like an ember in your name.
I know, I know,

I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
Let me show that love can rise, rise just like
embers.

(While "I know everybody here wants you." Repeats)
Love can taste like the wine of the ages, baby.
And I know they all look so good from a distance,
But I tell you I'm the one.
I know everybody here will thinks he needs you,
thinks he needs you

sábado, 6 de novembro de 2010

The art of noise

Throbbing Gristle

Em 2005 pude assistir, na Casa da Música, a algo que me ficará para sempre na memória. Bernd Friedmann (aka Burnt Friedman) e os seus Flanger promoviam, na altura, "Spirituals". Friedman é um músico/produtor, que se destaca por projectos próprios como os mencionados Flanger, e por colaborar com nomes como Uwe Schmidt (aka Atom Heart; aka Senõr Coconut), os Nu Dub Players, Jaki Liebezeit, David Sylvian e muitos outros. Ontem voltei ao mesmo local para participar em mais uma noite Clubbing promovida pelo espaço cultural portuense, com Friedman como principal atractivo. Foi, no  mínimo, uma noite estranha, com coisas boas e outras nem tanto.


Jaki Liebezeit & Burnt Friedman

De positivo:
. A primeira performance da noite, a cargo do colectivo britânico Throbbing Gristle (TG, agora X-TG, pois P-Orridge, um dos membros da banda, comunicou, no final do mês passado, a sua decisão de não continuar a fazer parte do projecto, o que levou a uma adaptada e apressada mudança de nome). OS TG são produtores de texturas sonoras muitíssimo pouco habituais, complexas, difíceis, e foi uma experiência muito interessante ver e ouvir manipular sons vindos de "coisas". Literalmente. Assistiu-se a constantes manobras de manipulação de ruídos que eram produzidos por Peter "Sleazy" Christopherson e seus "instrumentos": cristais, objectos emissores de electricidade, estranhos guarda-chuvas sonoros e iluminados (junto ao microfone) e outros que funcionavam por mera aproximação das mãos ou outros objecto, numa coreografia inédita. Uma das grandes fontes de inspiração de projectos como Pan-american, Stars of the Lid, Husker Du, os próprios Flanger, e tantos, tantos outros, estava ali à minha frente.
. Positiva também, ainda que tardia, foi a interpretação de Burnt Friedman, o designer sonoro, e Jaki Liebezeit, mais uma personagem referencial da música moderna, fundador e antigo baterista dos Can, projecto paradigmático para a construção e  definição do Krautrock (o primeiro trabalho da banda reporta-se a 1968).  O que esteve em palco foi, numa visão simplista, música electrónica. Audições atentas, no entanto, remetem-nos para outros universos. De toda a forma é difícil categorizar aquilo que se ouviu. Situa-se algures entre a electrónica ambient, com forte influência de Jazz e algumas fumarolas de Dub.  Funcionando como base melódica, os samples que Burnt Friedamn manipula, são fantasiados pelas notas persistentes dos seus instrumentos. Embalam. Os sons metronómicos da secção rítmica liderada por Jaki, também enganam. Não é invulgar encontrar, nas habituais e esperadas assinaturas das batidas, beats inesperados e variações subtis. Cria-se então uma desordem sonora, plena de ritmos secretos, que rapidamente é interpretada pelos nossos sentidos. É uma experiência quase hipnotizante.  São assim os três trabalhos editados pela Nonplace, que resultam da colaboração entre estes dois músicos. O título destas três edições, Secret Rhythms (vol. I, II e III) espelha bem aquilo que se pôde ouvir.

De lamentar:
. A má organização com que a Casa da Música brinda os seus clientes. É absolutamente incompreensível, e não são folhetos bonitinhos, que nada dizem, que me fazem pensar o contrário.  Nestas noites Clubbing, isto nota-se mais ainda. Ontem, poucas informações existiam acerca do alinhamento e dos respectivos horários daquilo que ia acontecer. E nos dias anteriores, mesmo na net, nada se sabia. O concerto de B.Friedman/J.Liebezeit começou às 01.40h, obrigando os que queriam de facto vê-los (e só assim é que uma mão-cheia de gente aguentou), a uma espera sem sentido. Como resultado, a sala Suggia estava quase vazia quando começaram. Uma hora depois, quando o concerto terminou, a sala teria cerca de trinta pessoas. O olhar incrédulo de Jaki, no final, enquanto agradecia, foi bem revelador. O duo despediu-se sem um único encore!
. A postura de muita gente que vai para este tipo de eventos sem estar devidamente informada e/ou interessada. Ontem ia ser uma noite para um público especial que devia saber ao que ia. Não se ia andar ao som do Pop/Rock. Foi uma noite de homenagem à música experimental que, por definição, nunca é fácil de ser escutada. Se a desconhecida ao meu lado dormia e, por isso, não me incomodava, já  atrás de mim, um grupo  de pessoas conversava como se estivesse numa esplanada. Juro que acho que ouvi pedir um fino e um pastel de nata!

(Mais fotos aqui e aqui)

Saúdo...

...o lançamento do clip oficial de "Famine Affair" (by of Montreal), ainda do seu mais recente False Priest. Sempre em estado de "escuta constante".

of Montreal - Famine Affair

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Este homem que parou



Autor da foto: Robert Doisneau

Este homem que pensou
com uma pedra na mão
tranformá-la num pão
tranformá-la num beijo



Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra

António Ramos Rosa

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Veja-se como os ouvidos nos mentem

Nem sempre ouvimos aquilo que queremos ouvir. É um facto da vida. Mas nem sempre, aquilo que ouvimos, corresponde à realidade. Eis o efeito McGurk. Ou como os nossos sentidos constatemente se baralham com toda informação sensorial que nos chega.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Desde a roda


Temos uma tendência natural para desvalorizar os objectos tecnológicos que nos rodeiam, e aquilo que os suporta. E são tantos! Quantas vezes não resmungamos porque a "chamada caiu" (pudera, somos milhões a saturar o espectro da rádio-frequência); o GPS perdeu o sinal dos satélites (e depois!? Já imaginaram que o sinal viaja centenas de quilómetros, e volta, em micro segundos para nos conduzir, ao metro, por estradas que nunca viajámos e que desconhecemos?!); ou porque o assento do avião é apertado (mesmo que estejamos sentados a dez mil metros de altitude!). São coisas banais, julgamos nós. Mas não são.
Esta é a melhor forma de sorrir ao olharmos para a tecnologia. E deve ser a razão principal, a par do conforto que proporciona na vida do dia-a-dia, para a sua existência e desenvolvimento. Sem queixas estéreis e sem que estejamos conscientes das suas falhas e limitações.